Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

FAREWELL AND MANY THANKS

Gente, estou rendida à evidência... não consigo organizar a minha vida de forma a escrever aqui no blog. Estava tentada a mantê-lo até ao final do mestrado, mesmo tendo regressado de Bruxelas já há mais de um mês mas falta-me tempo e inspiração para o vir atualizar.


Ainda assim, conto aqui a maioria das minhas peripécias de Bruxelas. Dos seis meses que lá vivi. Lógico que ficaram muitos episódios por lembrar, muitas fotos por publicar, muitas caras por mencionar e muitas memórias que guardo só para mim. Mas também faz parte, não é?


Talvez um dia volte a morar em Bruxelas. Talvez um dia volte a reativar este espaço. Por agora deixo-o adormecido. Agradeço a todos os que passaram por aqui. 


A Bruxelloise vai viver sempre dentro mim. E Bruxelas será sempre a minha cidade. :)

Quarta-feira, 4 de Abril de 2012

BLACK OUT MARCH

Março foi o mês do silêncio. Foi o mês do black out. Foi o mês em que tudo aconteceu.



Deixei Bruxelas, deixei o Hostel Garcia. Deixei o Mestrado. Deixei a Rafaela e o Valerio. Deixei todos os meus amigos na cidade que me conquistou o coração. A razão do meu silêncio aqui no blog prendeu-se com o vazio que sentia dentro de mim, por deixar tanto tão depressa. A experiência de Bruxelas voou na minha vida e deixou nela marcas para sempre.

Aproveitei as últimas semanas de Bruxelas para viver tudo o que ainda me faltava: os sítios para visitar, as experiências que ainda queria ter, as parvoíces que também deviam entrar na lista. Se deu para tudo? Claro que não. Mas deu para vir de barriga cheia.


A reta final das aulas arrasou comigo, tive de ter rasgar energia a dobrar para dar conta de tudo. Andei a saltar de entrevista em entrevista, de trabalho em trabalho, de reunião em reunião até ao limite do cansaço. Mas conheci gente super interessante e aprendi imenso.


Meia à pressa, no final de mais um programa de rádio no Parlamento Europeu, encaixotei tudo o que tinha num par de malas e apanhei um avião para Lisboa. No dia a seguir aterrei numa nova vida. Num trabalho novo, numa morada nova. Com novas circunstâncias, novos fusos horários, nova meteorologia. Com uma nova vida.

Em março, tudo aconteceu rápido de mais. Sempre disse que é o mês mais comprido do calendário e este pareceu que nunca mais tinha fim. Estou tão cheia de tanta coisa que ainda quase me sinto suspensa a meio de qualquer coisa etérea. Como se ainda não tivesse aterrado de vez. Como se ainda não tivesse realizado tudo.


Abril vai ser o mês de realizar. De aceitar e de pôr mãos à obra. De voltar ao blog para contar em detalhe os restinhos de Bruxelas. De voltar ao qUE, que entretanto teve que fazer uma paragem necessária. Abril é o mês em que estou de volta a mim.

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

FULL FEBRUARY

Ano bissexto. Há que aproveitar bem este dia 29 já que ele só existe de quatro em quatro anos. Para dizer a verdade, passei a quarta-feira quase toda em casa, toda preguiçosa. Mas para compensar vivi o mês de Fevereiro como ninguém.

Em relação às datas festivas, há pouco a dizer. Passei o Dia dos Namorados aborrecida, meia chateada com algumas situações da vida, até o Valerio me raptar para uma festa de solteiros surreal, daquelas que são tão más que se tornam boas. Quanto ao Carnaval, estava em Portugal e decidi fazer o mesmo que metade da gente do país: fui para Torres Vedras, vestida de pirata.

De facto, foi um mês curto mas eu fartei-me de ir a Lisboa. Foi ainda o lançamento do qUE e o raio do projeto consome quase a minha energia toda. O mestrado também voltou a apertar e houve aulas, assignments e muita coisa para fazer. Estamos na recta final e agora está tudo a todo o gás. As aulas terminam em Março e depois só já temos dois trabalhos para entregar no fim do ano letivo.

Na recta final, está também a minha experiência por Bruxelas. Já avisei o Sr. Garcia, o meu senhorio, que me vou embora em Março e já começo a empacotar as minhas coisas. Os dias que me faltam vão ser para aproveitar o resto que a cidade e a Bélgica têm para me oferecer.

NUMBER ONE FAN

Hoje venho falar de uma das pessoas mais importantes da minha vida. A minha avó Carmo. Isto porque me esteve a visitar há uns dias e eu não podia deixar o acontecimento em branco. Veio com a madrinha da minha mãe e o meu primo Miguel. Andei a fazer vida de turista por Bruxelas. Fiquei no hotel com eles. Aproveitei para os levar aos meus restaurantes preferidos, à baixa, ao Parlamentarium e, claro, às lojas. Isto tudo enquanto tinha ainda aulas, os meus projetos para tratar e um trabalho de vídeo que me deu carradas de dores de cabeça. Não foi fácil.

A minha irmã costuma dizer que a minha avó é a minha fã número um. Acompanha o meu percurso profissional desde o iniciozinho. Quando tinha um programa de madrugada na rádio, ela ouvia todas as noites. Depois passei para as notícias da manhã e ela também não perdia uma. Já soube que eu também gravo umas coisas por aqui e já me perguntou onde é que pode ouvir. Ao que consta, não há um dia em que não venha ao blog e passa todos os dias no Skype só para me dar um beijinho.

A minha avó é a maior. Com uma energia inesgotável e um carisma fora de série. Domina as novas tecnologias como ninguém. Tem smartphone, computador e portátil. Facebook e Messenger. Cede sempre aos meus caprichos e tantas vezes é o meu backup plan quando as coisas correm mal. E alinha sempre nas minhas maluqueiras. "Avó, bora viajar?" Raramente a resposta é não. Já fomos a todos os sítios e mais alguns. No ano passado, quando deixei de trabalhar, decidi tirar uns dias para percorrer a Europa. A minha ideia era fazê-lo sozinha, esfriar a cabeça, pensar em novas prespetivas. Mas à última hora decidi convidá-la. Ela, claro, aceitou e lá andámos as duas de uma cidade para a outra.

A minha irmã diz que ela é a minha fã número um. É mentira. Eu é que sou a fã número um dela.

COLD BRUSSELS

Agora que os meus dedos já descongelaram e os termómetros voltaram a subir (e desta vez, de forma generosa - há alturas em que chegam a 10 graus, coisa rara em Fevereiro, segundo parece), já posso falar de como é viver com um frio de rachar num país já de si frescote.

Acho graça que todos os anos os noticiários enchem-se com grandes títulos sobre vagas de frio glaciar que atingem a Europa e blablablas do género. É o Inverno, minha gente. E no Inverno é suposto fazer frio. Parece que as pessoas nunca se habituam.

Lógico que, para os portugueses, habituados ao tempo ameno do seu cantinho à beira-mar plantado, tudo o que é abaixo de 12 graus já é o equivalente a morar num frigorífico. Em Bruxelas, 12 graus é a loucura. Quase dá vontade de ir para a praia. Se aqui houvesse praia.

Felizmente estava em Lisboa naquela altura agressiva, quando o frio chegou em força e nevou como o caraças numa questão de um par de horas. Mas aterrei nesse cenário. As ruas geladas e vazias, com a neve a aparecer de vez em quando. Dias em que a temperatura máxima era -10. Foi duro? Claro que foi! Mas confirmei que, de facto, a partir de -5 é tudo igual: um frio do caraças, já nem se nota a diferença.

Só que depois de umas chuvadas valentes, o sol voltou a aparecer. O frio começou a ir embora e as temperaturas têm estado a subir. É a Primavera a chegar a Bruxelas.

THE STALKER

Bom, seria impossível eu contar a minha experiência na Bélgica sem o mencionar a ele. Mesmo arriscando um processo de difamação e mais não sei quantas outras ameaças ridículas.

Mas lamento, vou falar à mesma. Porque calculo que Bruxelas não estaria a ser a mesma coisa sem o ter a chatear-me todos os dias.

Se ele não estivesse cá, com quem é que eu ia discutir para descarregar as minhas neuras? Com quem é que eu ia almoçar, lanchar e jantar no Café Portugal? Com quem é que ia beber copos a meio da semana? Quem é que ia debater jornalismo comigo? Quem é que me ia contar aventuras amorosas desastradas? Quem é que ia ouvir as minhas? Quem é que me ia mandar toques a toda a hora porque nunca tem dinheiro na porcaria do telemóvel para me ligar?

A verdade é que nos conhecemos há uns aninhos. E o que começou por ser uma admiração profissional mútua evoluiu para uma amizade enorme. Mesmo quando estamos em diferentes pontos do globo mantemos um contato constante. Já trabalhámos juntos, já estivemos em vários projetos juntos (ele é o meu braço direito no qUE - falo disso aqui), já viajámos juntos, quando ele foi morar para Nova Iorque eu fui visitá-lo. E quando eu vim morar para Bruxelas... bem, ele foi um bocadinho mais longe: veio viver para cá também. Claro que é o meu stalker. E ainda bem.

Por isso, toma lá, Valerinho. Aqui tens a estória. Agora processa-me, a ver se eu me importo.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

THE END OF THE AFFAIR

Aconteceu nestas últimas semanas, quando estava em Portugal a tratar dos meus assuntos pessoais: documentos, consultas médicas e afins. Estava eu na sala de espera de um centro clínico de análises quando o meu telemóvel apitou, a indicar a chegada de um email. Li, fiquei uns segundos a digerir a informação, e os minutos seguintes aos pulos de alegria, perante o olhar embasbacado de todos os que se encontravam à minha volta.

Neste ponto, vamos fazer pause e um rewind nesta história.

Estamos agora em Setembro de 2011. Eu acabo de aterrar em Bruxelas, de armas e bagagens, e estou maravilhada com o mundo a acontecer na capital da União Europeia. Tantas oportunidades, tanta vida, tanto futuro promissor!

Assim que me instalei, e depois de ter dado as tradicionais voltas pela cidade, ainda antes das aulas começarem, perdi umas quantas horas a navegar pela internet à procura de trabalho. Havia inúmeros sítios que queriam gente como eu. Comecei a enviar currículos feita parva para todo o lado. De todas as posições às quais me candidatei, uma mereceu especial atenção: os estágios pagos (bem pagos) de jornalismo do Parlamento Europeu.

O processo de candidatura era uma burocracia do caraças: pediam uma carrada de documentos, queriam uma carrada de informações inúteis. Devo ter demorado uns dois dias até ter aquilo tudo pronto. Na opção do local para o qual me candidatava escrevi: Bruxelas. Só que na altura estava mega apaixonada, tinha o meu namorado em Portugal e, a seguir a um ataque de saudades, voltei ao documento (antes ainda de o enviar, claro) e acrescentei - opção 2: Lisboa.

O tempo passou, as aulas começaram e o entusiasmo em procurar emprego foi esmorecendo. Tive duas ou três respostas que não deram em nada e como as aulas me tiravam o fôlego durante a semana toda, decidi primeiro terminar o Mestrado e depois pensar em emprego.

Em Dezembro, já o namorado tinha ido à vida, recebi um email do Parlamento Europeu: "Cara Marta, gostámos muito do seu currículo blablabla, fica em lista de espera blablabla, senão volte a candidatar-se da próxima vez!" Como soube que imensa gente tinha recebido aquela carta, encolhi os ombros e não pensei mais no assunto.

Voltamos então para o momento em que eu estou num centro de análises clínicas e o meu telemóvel toca com o aviso da chegada de um email. Dizia mais ou menos assim: "Cara Marta, afinal a pessoa selecionada não vai poder aceitar o estágio e, por isso, a posição vai para si que é a primeira da lista. Case aceite, envie os documentos X e Y que vai ficar no gabinete de LISBOA do Parlamento Europeu a partir de Março."

A ironia do destino é mesmo lixada. Agora que já nada me prende a Portugal e que eu cada vez mais imaginava a minha vida na Bélgica é que sou recambiada para lá outra vez. Mas o Parlamento Europeu é sempre o Parlamento Europeu, e as minhas aulas até terminam exatamente em Março, por isso, só se eu fosse totó é que não aceitaria.

E neste momento, dou por mim a aproveitar os dias que me restam por Bruxelas, apaixonadíssima pela cidade, a prometer em cada rua, em cada muro, em cada esquina, voltar assim que me seja possível.